Como identificar o ponto cego da comunicação desencadeador de problemas na empresa.

INFORMAR NÃO É COMUNICAR!

Este texto relata como solucionamos um problema organizacional por meio da aplicação do Método ComunicAção. A experiência vivida nessa empresa — que chamaremos de “Empresa A” para preservar sua identidade — foi, no mínimo, inusitada, pois a raiz do problema estava em algo completamente atípico.

Ao longo deste relato, você compreenderá por que a informação pode ser um ponto cego no negócio. Via de regra, o que líderes e gestores enxergam são as consequências geradas pela falta ou pela má qualidade da informação — e não o problema informacional em si.

PROBLEMA ALEGADO PELA EMPRESA CONTRATANTE

Na conversa inicial, a direção da Empresa A apontou que o problema enfrentado era o fato de a equipe de produção — responsável por insumos para a cadeia calçadista — não ter atingido as metas de produção pelo terceiro mês consecutivo.

Nossa primeira ação foi verificar se as metas estavam superdimensionadas em relação ao número de colaboradores, se algum item havia sido acrescentado ao processo produtivo ou se existia alguma defasagem no nível de habilidade da equipe. Avaliamos diversos indicadores que poderiam estar impactando o desempenho.

A constatação foi clara: todos os indicadores estavam alinhados com as metas estabelecidas. Ainda assim, a empresa entrava no quarto mês consecutivo de resultado negativo e, com base nos números dos primeiros dias do mês, a projeção indicava que as metas novamente não seriam atingidas.

O único dado concreto era que a queda de produção havia começado após a mudança do setor produtivo para um novo pavilhão. Coincidência ou não, foi a partir dessa alteração que os resultados despencaram.

MAPEAMENTO DO PROCESSO E DIAGNÓSTICO

Diante desse cenário, realizamos uma Pesquisa Interna para Diagnóstico do Processo, envolvendo todos os públicos relacionados. Paralelamente, desenvolvemos um Blueprint (mapeamento do processo).

Cada detalhe foi observado, registrado e cronometrado. A equipe de produção estava dividida em duas ilhas de trabalho, com o mesmo número de colaboradores e a mesma carga horária.

Entretanto, uma das ilhas apresentava desempenho inferior à outra. Mesmo alternando os colaboradores entre as ilhas, os resultados permaneciam desiguais. Tínhamos, portanto, uma incógnita a ser desvendada.

Aplicamos outras técnicas de investigação, incluindo rodas de conversa em pequenos grupos, nas quais cada colaborador compartilhava informações sobre o processo — ainda que, à primeira vista, parecessem irrelevantes.

Foi nesse contexto que uma colaboradora comentou, quase de forma casual, que o pavilhão antigo não era tão frio quanto o novo.

Essa observação acendeu um alerta.

A RAIZ DO PROBLEMA

E então, o problema começou a se revelar.
O novo pavilhão, embora fosse superior ao antigo em diversos aspectos estruturais, não possuía isolamento térmico adequado. Como o período era de inverno, os colaboradores passaram a ir com mais frequência ao banheiro, em busca de conforto térmico.

Isso explicava a queda geral da produção. Mas ainda restava uma pergunta: por que apenas uma das ilhas produzia menos?

Ao observarmos o layout com mais atenção, identificamos que a ilha com menor rendimento ficava no extremo oposto ao banheiro, enquanto a outra estava localizada ao lado dele.

O tempo de deslocamento individual parecia insignificante. Contudo, o somatório desses deslocamentos ao longo do mês representava uma perda de tempo produtivo suficiente para impactar diretamente os resultados.

A IMPORTÂNCIA DO MAPEAMENTO DO PROCESSO

Este caso empírico evidencia a importância de se trabalhar com informações de qualidade para chegar à raiz real dos problemas organizacionais. E isso só foi possível por meio do Método ComunicAção.

O método cria ambientes de trabalho baseados em interação, troca e escuta, valorizando o conhecimento de quem vivencia o processo no dia a dia. É nessa interação colaborativa que emergem as informações relevantes, os pontos falhos, as percepções ocultas e, muitas vezes, as soluções.

Ao observar os processos, as práticas, os comportamentos e os significados construídos nas relações cotidianas, torna-se possível identificar o ponto cego da informação — aquilo que não aparece nos relatórios, mas impacta diretamente os resultados.

O grande diferencial do Método ComunicAção está justamente na forma como a informação é construída na empresa:
não como dado isolado, mas como resultado da comunicação, da troca e do conhecimento compartilhado entre os envolvidos.

Comunicação no ambiente de trabalho
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